41º Conecef aprova propostas em defesa da Caixa pública, do Saúde Caixa e da valorização dos empregados

As empregadas e os empregados da Caixa Econômica Federal definiram, nesta sexta-feira (19), em São Paulo, as reivindicações específicas que serão defendidas durante a Campanha Nacional dos Bancários 2026. As deliberações foram aprovadas na plenária final do 41º Congresso Nacional das Empregadas e dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), que reuniu 281 delegadas e delegados de todo o país entre os dias 17 e 19 de junho.

Ao longo do congresso, foram debatidas 583 propostas vindas das bases de todos os estados e do Distrito Federal. As resoluções aprovadas vão compor a minuta de reivindicações das empregadas e empregados da Caixa, que será entregue ao banco para a abertura das negociações específicas.

A pauta aprovada reúne temas centrais para a categoria, como a defesa da Caixa 100% pública, o fortalecimento do Saúde Caixa, a recomposição do quadro de pessoal, a valorização dos empregados, carreira, Funcef, remuneração variável, igualdade de oportunidades, equidade racial, inclusão, saúde mental, combate ao assédio e melhores condições de trabalho.

A defesa da Caixa pública esteve entre os principais eixos do 41º Conecef. Delegadas e delegados reafirmaram que o banco deve ser fortalecido como instrumento de desenvolvimento econômico e social, responsável por políticas públicas fundamentais para a população brasileira, como habitação, crédito popular, saneamento, infraestrutura, programas sociais, gestão do FGTS, loterias e inclusão bancária.

O Saúde Caixa também ocupou lugar central nos debates. As empregadas e empregados defenderam a sustentabilidade do plano, a preservação do mutualismo, da solidariedade e do pacto intergeracional, além da garantia de acesso para todos os empregados, inclusive os admitidos após 2018, no pós-emprego. Ao final dos trabalhos, foi apresentada a campanha Saúde Caixa Sem Teto, em defesa do fim do limite de custeio de 6,5% da folha salarial imposto pela Caixa em seu estatuto.

As condições de trabalho foram outro ponto de destaque. As propostas aprovadas tratam da sobrecarga nas unidades, da falta de empregados, das metas abusivas, das mudanças unilaterais nos modelos de atendimento, da pressão por resultados, do adoecimento físico e mental e da necessidade de combater o assédio moral, sexual e organizacional.

Durante o congresso, especialistas também discutiram os riscos psicossociais relacionados ao trabalho e os impactos da organização do trabalho sobre a saúde dos empregados. Foram abordados temas como metas excessivas, monitoramento digital, assédio, intensificação do trabalho e a importância da nova NR-1, que passou a incluir os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais das empresas.

A remuneração variável e o Super Caixa também foram alvo de críticas. As entidades representativas defenderam que qualquer programa de bonificação ou remuneração variável seja debatido e negociado com a representação dos trabalhadores, com regras claras, critérios objetivos, transparência e pagamento justo. O princípio defendido pelo movimento sindical é que quem vendeu deve receber.

A pauta da diversidade também esteve presente no 41º Conecef. O Coletivo Caixa Preta apresentou manifesto com propostas para enfrentar o racismo estrutural, ampliar a representatividade negra e garantir igualdade de oportunidades dentro do banco. O documento defende políticas efetivas de promoção da diversidade racial, transparência nos processos de ascensão, programas de formação e mentoria, monitoramento das políticas afirmativas e capacitação antirracista.

Na quinta-feira (18), data em que é celebrado o Dia Nacional do Orgulho Autista, o congresso também abriu espaço para o debate sobre neurodiversidade. Integrantes do Coletivo Caixa Autista relataram os desafios enfrentados por pessoas com Transtorno do Espectro Autista no ambiente de trabalho e defenderam a adoção de medidas concretas de acessibilidade, acolhimento, combate ao capacitismo e inclusão efetiva na Caixa.

O 41º Conecef também prestou homenagem a companheiros que marcaram a luta dos empregados da Caixa e da classe trabalhadora, como Daniel Gaio, Octacílio Ramalho e Samuel Pereira, lembrados por suas trajetórias de militância, compromisso e defesa da organização coletiva.

A plenária final aprovou ainda moções políticas, entre elas a defesa da Caixa 100% pública e contra sua fragmentação, a valorização dos empregados da área de Tecnologia da Informação, o repúdio à criação de novos cargos de alto e médio escalão no banco sem transparência e uma moção de solidariedade a Zé Maria, presidente do PSTU. Também foi aprovada resolução em defesa da democracia e de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para a Fetrafi/NE, o 41º Conecef reafirma a importância da organização dos empregados da Caixa em todo o país e fortalece a unidade da categoria para a Campanha Nacional dos Bancários 2026. As propostas aprovadas expressam demandas concretas dos locais de trabalho e reforçam que a defesa dos direitos dos trabalhadores está diretamente ligada à defesa da Caixa pública, social, inclusiva e comprometida com o desenvolvimento do Brasil.